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Crise mundial e autoestima
Crise é uma agonia cotidiana que causa amargura, angústia, sensações de oportunidades obscurecidas, incertezas e ameaças.
É assim que elas são: pessoais, matrimoniais, econômicas, financeiras,
políticas e todas aquelas que envolvem pessoas, mercados circunstâncias outras de poder. Em todos os casos, por mais que não queiramos reconhecer, o problema estará sempre nas pessoas. Não no liberalismo ou socialismo, no capitalismo desembestado ou no estatismo controlador.
Em todos eles são seres humanos que tomam decisões.
A atual crise mundial provém de gente ambiciosa, desonesta, aética,
vinculada a um passado de especulações e de vantagens siderais do lucro sem trabalho, sem raiz da riqueza adubada de suor, mas plena de papéis sem valor com timbres de falsa liquidez que agora emergem no verdadeiro significado do engodo. A crise esmaece a confiança, corrói visões de futuro, destrói sonhos, apaga esperanças, fertiliza incertezas e medos.
A crise financeira mundial começa a produzir seus efeitos nocivos na
economia brasileira: a desaceleração do crescimento, desemprego e todos os efeitos perversos que ela provoca. Ao lado dessas conseqüências ameaçadoras, surge outra crise, na maior parte das vezes despercebida pelas próprias vítimas e pela sociedade, que é a crise de autoestima.
Os empreendedores, invadidos pelos noticiários da mídia em geral,
contaminados pelo pessimismo de companheiros, amigos e colaboradores,
ficam perplexos e assustados. A ameaça da perda de mercados e clientes
gera uma sensação de medo; o instinto de sobrevivência a qualquer custo fala mais alto.
Os investimentos são drasticamente reduzidos e muitas vezes cancelados.
Alianças estratégicas e parcerias perdem fôlego e motivação. O
investimento em inovação e tecnologia é adiado, as estratégias de
fidelização e encantamento de clientes são deixadas de lado.
É a construção de um ciclo vicioso que inexoravelmente leva ao
desaparecimento de empreendimentos e à destruição de sonhos dos
empreendedores.
Gostaria de compartilhar sentimentos diferentes com estes empreendedores e convidá-los à uma nova visão. Ver a crise por outra ótica. Crise como esgotamento de um modelo e por consequência o surgimento de novas bases de competitividade ancorada em novas competências e novos comportamentos desejados por clientes e pela sociedade planetária em geral.
É tempo de decodificar este momento, construir novos pilares no seu modelo de negócio e até mesmo, e por que não, visualizar as inúmeras oportunidades propiciadas nestes tempos revoltos.
Existe, sim, um meio melhor de empreender.
Entendendo que somente através da inovação permanente as empresas serão longevas e sustentáveis; com umaprofunda convicção que a ética e a transparência são eixos inseparáveis das atividades empresariais. Que as práticas de responsabilidade social/empresarial geram organizações mais protegidas, quase blindadas dos efeitos maléficos provocados por uma desordem global. Que é tempo de investir, sim! Investir no seu cliente, estimular, de forma estratégica, a criatividade das suas equipes, manter e ampliar a sua reputação e credibilidade perante a comunidade.
Deixaremos para trás uma era de ilusão, artificialidade, consumismo e
desrespeito ao meio ambiente. Seremos empreendedores e cidadãos mais
conscientes, e as práticas de sustentabilidade estarão definitivamente
incorporadas à vida das pessoas e das empresas.
Compartilho a visão de Einstein, no século passado, mago da ciência e
provedor de visões do futuro: "Não pretendamos que as coisas mudem, se
sempre fazemos o mesmo." A crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias violenta seu próprio talento e revela respeitar mais os problemas do que as soluções. O inconveniente é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia.
É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é
promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo.
Em vez disso, trabalhemos duro.
Voltando à maravilhosa fonte de inspiração de Albert Einstein: "Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la". Ficam as palavras do mestre e a urgência de aplicá-las.
Paulo Manso Cabral
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