VOCÊ JÁ TEM UM XODÓ?
"Eu só quero um amor que
acabe o meu sofrer"
Gilberto Gil
Nasci de um amor de janela, que
aconteceu nos anos 40. Meu pai, um jovem imigrante
espanhol, de seu local de trabalho, um Armazém
na Baixa dos Sapateiros, paquerava minha mäe,
uma baianinha de Valença, que morava no Carmo,
dando vida e alma aos memoráveis versos de
uma canção de Ari Barroso "Na
Baixa dos Sapateiros encontrei um dia a morena mais
frajola da Bahia".
Do tempo de meus pais até
os dias de hoje, quando vivemos a era do "ficar"
e do namoro por internet, nossa janela virtual,
tudo mudou, mas o amor, ah! o amor, este nunca saiu
de moda. Seja por correspondência, celular
ou ao vivo, que tem hora que "e-mails já
não adiantam mais, queremos ouvir a sua voz".
Amores de todos os gostos e sabores.
Amores impossíveis, bonitos, de final feliz,
de finais trágicos (Romeu e Julieta não
morreram!), presumíveis, surpreendentes,
arrebatadores, de alma e de corpo, de sexo e espírito,
passageiros e duradouros. Amores que valem apenas
um minuto da vida e amores de um minuto que valem
por uma vida.
Quem já amou, sabe que vivemos
para encontrá-lo e com ele encontramos nosso
sentido. Quando por ele estamos contagiados, estamos
no nosso melhor, é quando "estamos contente,
tanto faz o frio, tanto faz o quente". "Gasolina
azul", quando estamos abastecidos por ele,
não conhecemos o cansaço nem o desânimo.
Não queremos dormir nem se alimentar... Só
viver para amar!
Ele também nos permite ilusões.
Relacionamentos fulgazes, "ouro de tolo".
É quando não entendemos que o que
importa é com quem acordamos, e não
com quem vamos deitar. Quando não entendemos
sua estranha matemática. Quanto mais damos,
mais temos para dar.
Surpreendente, aparece quando menos
esperamos e de onde menos contamos. Às vezes,
está perto e não conseguimos ver.
Então temos que entender sua estranha fisiologia.
Quanto mais enxergamos com o coração,
maior nosso campo de visão. Às vezes,
vem como um pressentimento. Intuição
à primeira vista.
Embora recebamos de graça,
como uma graça alcançada, para manter
o sentimento, é preciso paciência,
cuidar no longo prazo, pois amor é construção,
que se fortalece em pequenos mimos, gestos e cuidados.
Que a gente nunca desista de nossa
busca por um xodó assim, que alegre nosso
viver, que nos renove em cada passo, em cada abraço.Que
seja a nossa régua e compasso!
Victoriano Garrido Filho
www.vgarrido.com.br