da Bahia (ADVB), o comportamento
ético e a forma de se relacionar
com que as pessoas são
reconhecidas pelo mercado ou pelos
colegas determinam fortemente
o êxito na busca por uma
nova colocação.
Aqueles profissionais que, iludidos
com o cargo que ocupam, alguns
se considerando até mesmo
insubstituíveis, tratam
mal o mercado - no caso, os prestadores
de serviços, consultores,
vendedores, empresários
e colaboradores diversos com quem
se relacionam -, esses costumam
penar muito para mudar de emprego
ou mesmo de profissão",
avalia Garrido Filho. Ele assegura
que cultivar a consciência
de que tudo é transitório
no universo corporativo e da importância
de se relacionar bem com todos,
desde os mais modestos funcionários
aos mais graduados, pode ajudar
muito a quem aspira a novos desafios
profissionais. O consultor recomenda
ainda, antes de decidir pela mudança,
manter atualizada a rede de relacionamentos
(networking).
"Até
porque os relacionamentos e as
amizades contribuem para ampliar
a nossa visibilidade e credibilidade
no mercado, com o que devemos
nos preocupar sempre. Afinal,
não adianta muita coisa
ser `fera´ no que faz dentro
da empresa se ninguém sabe
disso fora da companhia",
observa. Outra recomendação
do especialista para quem almeja
uma reconquista do mercado é
reunir a maior quantidade possível
de informações sobre
empresas, negócios e áreas
de trabalho de interesse do profissional.
***
Currículo
pode abrir ou fechar porta
Todo profissional que já
passou pela experiência
sabe: o currículo, e a
forma como está redigido,
pode abrir ou fechar portas no
mercado. A consultora em gestão
de carreira Janete Teixeira Dias
defende que o currículo
tem que cumprir o papel de comunicar,
de forma rápida, correta
e objetiva, informações
realmente relevantes para a decisão
do empregador de oferecer ou não
o cargo ao candidato. "Vamos
começar pelo significado
original da palavra: trata-se
de um `aportuguesamento´
da expressão latina Curriculum
Vitae, que significa, `curso da
vida´. Quer dizer, um conjunto
das indicações relativas
à formação,
competências habilidades
e atividades profissionais do
indivíduo", interpreta.
A
consultora reforça a necessidade
da objetividade. "Seja objetivo
na apresentação
das informações.
Os currículos hoje devem
ter, no máximo, duas páginas.
Mostre sua competência,
seus pontos fortes, pense no que
pode despertar o interesse do
empregador, mas não precisa
contar a história de sua
vida inteira", brinca. Para
ela, ser verdadeiro e honesto
é também fundamental:
"Não vale inventar
coisas para impressionar. Tudo
o que constar no currículo
poderá ser questionado
na hora da entrevista e, se você
não souber argumentar,
sua história ficará
frágil, gerando desconfiança
em quem está realizando
a seleção".
Escrever corretamente também
é destacado pela especialista,
afinal "um erro de português
no currículo pode eliminá-lo
imediatamente".
Vencida
a etapa "quebra gelo"
do currículo, a fase seguinte
do processo seletivo para se alcançar
o emprego sonhado - a entrevista
- também inspira cuidados
do candidato. E vem até
amedrontando alguns, segundo Janete
Dias. "Por incrível
que pareça, na minha experiência
de consultora, tenho sido informada
de que várias pessoas não
compareceram para a entrevista
ou dinâmica de seleção,
para as quais foram convidadas
a participar. Se elas têm
medo, é medo de que, efetivamente?",
indaga. Ela lembra que, o medo
é natural e até
necessário, mas não
pode paralisar o candidato. É
vital, para o êxito profissional,
aprender a confiar em si mesmo,
ter habilidades e competências
próprias. E ir ao encontro
do desafio. "Aos profissionais
que me consultam, dou sempre um
conselho: mostre-se. Revele suas
potencialidades. Aproveite cada
oportunidade que surgir para compartilhar
suas habilidades e experiências
com outras pessoas. Você
nasceu para agregar valor à
humanidade, não se poupe,
não se guarde. Vá
e encare o entrevistador, com
tranqüilidade e confiança",
enfatiza.
***
Mercado
baiano passa por mudança
É de reconhecimento geral
que a Bahia vem dando, desde a
última década, significativos
saltos no caminho da expansão
e diversificação
de sua economia. Novos pólos
industriais estão sendo
consolidados e o estado continua
atraindo grandes companhias em
setores variados. Mas, para muitos
analistas, o mercado de trabalho
baiano ainda ostenta números
relativamente modestos, se comparados
aos principais centros do Sudeste
e Sul do país. A região
metropolitana da capital ainda
detém uma das mais altas
taxas de desemprego nacionais,
acima de 25% da população
economicamente ativa (PEA). Dentro
desse cenário e em plena
era da crise global do emprego,
uma questão persegue os
especialistas: existem ou não
fórmulas comprovadamente
eficazes para se conseguir boa
posição nesse mercado?
O
consultor Thomas Case, fundador
do grupo Catho, uma das maiores
organizações brasileiras
de recursos humanos, acredita
que há, sim, a melhor receita
para enfrentar - e ganhar - essa
guerra por um lugar ao sol no
mercado de trabalho. Autor do
livro Como conseguir emprego no
Brasil do século XXI, Case
é incisivo: "A competição
no mercado de trabalho tornou-se
bem mais acirrada na Bahia, como
em quase todo o país. A
presença crescente de profissionais
mais jovens e de mulheres contribui,
significativamente, para esse
novo panorama. Indícios
claros dessa maior competitividade
são a ampliação
do tempo médio de desemprego
- profissionais especializados
chegam a passar 11,3 meses procurando
um novo posto - e a dificuldade
de pessoas acima de 45 anos obterem
uma colocação".
Já
a psicóloga e consultora
em RH Margarida Silva, é
evidente a fase de expansão
por que passa o mercado de trabalho
baiano, com a ampliação
de oportunidades nos setores público
e privado. Ela destaca o segmento
industrial como um dos mais promissores,
com uma série de vagas
sendo abertas em unidades fabris
nos pólos de Camaçari
e em outros municípios.
A consultora menciona também
o segmento de serviços
no estado, que está se
expandindo com rapidez. "Notadamente
a área de teleatendimento,
com o crescimento vertiginoso
de empresas de call center. Essas
companhias estão absorvendo
milhares de profissionais, de
formação variada,
o que é ainda melhor",
avalia.
Outros
campos atraentes hoje no mercado
baiano, segundo Margarida Silva,
são o da educação
superior, com à implantação
de muitas instituições
de ensino, além de certas
atividades no comércio,
entretenimento, lazer e hotelaria,
"mesmo que sejam vagas temporárias
sazonais, abertas neste período
de alta estação".
"Não podemos esquecer,
contudo, que a procura por nova
colocação, na Bahia
como em quase todo o mercado nacional,
ainda é bem maior que a
oferta. Por isso, é importante
estar preparado para vencer a
disputa pelas vagas", ressalta
a consultora. E, segundo ela,
têm mais chances de vitória
"aqueles que cultivam o autoconhecimento,
sabem administrar a carreira e
estão ''antenados'' nas
oportunidades que aparecem e que
sejam coerentes com suas competências
e metas definidas".
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